1 de abril de 2012

Rio do Engenho - Uma tragédia socioeconômica e ambiental





Se procurarmos em todos os guias de turismo, livros de história e até no imaginário da população ilheense o povoado do Rio do Engenho situado a margem direita do Rio Santana, com certeza estará notificado como um belo lugar, com paisagens bucólicas, natureza preservada, banhos de rio, cachoeiras, boa culinária, gente hospitaleira e muita história. A igrejinha do século XVI e os resquícios do Engenho de Santana são complementos importantes que deveriam estimular o visitante a conhecer melhor esse recanto pitoresco da Costa do Cacau, no entanto para o morador, o que se descortina é uma verdadeira tragédia socioeconômica e ambiental. O lugar vem se depauperando seguidamente com ações governamentais desastrosas que desencadearam um verdadeiro empobrecimento da população do lugarejo.O lugar que é cartão postal dos mais apreciados teve um forte abalo socioeconômico-ambiental com a construção em 1998 da represa do Rio Santana, que abastece com água potável os belos bairros ao sul de Ilhéus – Pontal, Jardim Atlântico, Urbis e tantos outros, no entanto a população do Rio do Engenho que esta a cerca de 100 metros da represa, não recebe nem uma gota de água tratada, se abastecendo do precioso líquido de uma represa poluída que se situa ironicamente próxima a “grande barragem” é como se o colonialismo da época dos portugueses continua-se vigorando e se perpetuando - tiram o ouro e pagam com chibatadas. 


Rio Santana: construção da barragem 1998


Mas a construção da imponente barragem não só afetou a paisagem histórica, como também provocou uma grande catástrofe ambiental e uma forte decadência econômica do lugar. Porque além de não beneficiar o povoado com água tratada, a implantação da Barragem não realizou a construção do canal da piracema que permite aos peixes migradores chegar às áreas de reprodução e berçários acima das barragens no período da piracema (migração reprodutiva), e seu retorno no período de alimentação. Essa ligação é fundamental para a conservação da biodiversidade.




Rio Paraná (canal Itaipu): canal da piracema por onde peixes e mariscos sobem o rio


No Rio Santana a construção da barragem ocasionou o desaparecimento de diversos pescados que davam sustentabilidade ao turismo gastronômico no Rio do Engenho, com destaque para o famoso Robalo, que era servido nos restaurantes do lugar e que atraiam personalidades e apreciadores da boa gastronomia e que juntamente com o pitu dava animo aos motoristas de enfrentar os 26 km de estrada de chão que separam o Rio do Engenho do centro de Ilhéus para apreciarem as deliciosas iguarias.

Com o fim do Robalo e a proibição da pesca do pitu em todo o estado (porque ainda não foi feita uma pesquisa de quando acontece o defeso -época de reprodução), além da falência dos restaurantes, os pescadores passaram a ser marginalizados e a ter que pescar de forma ilegal, segundo eles para “não ter que mudar para a cidade e se transformar em favelado”.

 Rio Santana: a barragem é uma muralha intransponível para peixes e mariscos



6 de novembro de 2011


Ponte da  Tranquilidade

Situação da Ponte da Tranquilidade no Rio Santana, após a grande cheia do final do mês de setembro de 2011 (maior dos últimos 60 anos).

















Desde 1973, quando foi construída, a ponte está sem manutenção.
Dá pra fazer de concreto e evitar novas obstruções dessa importante ligação entre o Rio do Engenho e o Banco da Vitória por onde passam  famílias, agricultores e turistas.


29 de agosto de 2011

Horta orgânica- uma agricultura sustentável



verduras frescas colhidas diariamente

Oferecer alimentos com o padrão de qualidade orgânica para pessoas que buscam uma vida saudável.

Proteger a saúde dos agricultores sem o uso de agrotóxicos e preservar a diversidade biológica da Mata Atlântica. 

Esta é a opção e o trabalho desenvolvido na horta da Chácara das Sucupiras. 




Alface, rúcula e ervas aromáticas 


Aqui,  as hortaliças são produzidas com a qualidade orgânica certificada pelo IBD através do Projeto de Certificação da Cooperativa CABRUCA  (BA–036–produtor 85).





Produção


Recentemente, por questões econômicas e burocráticas, a logomarca IBD foi retirada das embalagens, sem alterar a qualidade dos produtos e o compromisso da nossa empresa com o consumidor. 


                                 



informações : Estrada Banco da Vitória
                      Rio do Engenho Km 10 - Ilhéus
                      Tel.: (73) 9141-0283 ou 9139-1585 
                      Certificação: IBD – (14) 3811-9800


18 de julho de 2011

Chácara das Sucupiras – em busca da sustentabilidade no sul da Bahia




                O projeto Chácara das Sucupiras começa em 2000, época que a plantação de cacau  teimava em sobreviver, havia sofrível criação de gado leiteiro com sérios problemas fitossanitários e nutritivos, alimentado com pastos degradados e de baixa fertilidade. Época de cercas e carrapatos, pobreza social onde os 20 hectares da Fazenda geravam um posto de trabalho. 

Sede da Chácara (1990)
Área de pasto (1990)

            




                   Hoje já são seis famílias vivendo diretamente e outras três  se beneficiando constantemente dos recursos da Fazenda.  

Horta orgânica (2011)
           

         Em 2002, iniciam-se os processos de certificação orgânica com o IBDIESB e Cooperativa CABRUCA. Em parceria com a CEPLAC e o Banco do Nordeste, a diversificação de cutivos com a plantação de cupuaçu, coco, banana, hortaliças, flores tropicais e a melhoria da produção do cacau, que dobrou a produtividade média para 40 arrobas por hectare. 


 cacau hoje

              Em 2009, uma parceria com a AMAREA, Associação dos Moradores e agricultores do Rio do Engenho e Adjacências,  e a UESC, Universidade de Santa Cruz,  a mata ciliar foi recuperada protegendo definitivamente o Rio Santana.         

Antes: erosão em área próxima ao Rio Santana (1995)
Área já recuperada com plantio de espécies da Mata Atlântica (hoje)


       Hoje a Chácara produz cacau, cupuaçu, banana, flores tropicais (mudas e hastes), palmito
pupunha, coco, hortaliças, isso conjugado com a preservação ambiental, onde diversas espécies
de animais voltam a encontrar um ambiente propício à reprodução e a manutenção da floresta.

 Equipe recebe o prêmio "Produtor Familiar Destaque" pela CEPLAC (2009)